Jornal do Commercio

Lavagem de dinheiro

Lavagem de dinheiro no Brasil pode ter gerado R$ 44 bilhões nos últimos 11 anos

O estudo foi feito pela Rede Lab-LD, um grupo de 58 laboratórios de tecnologia que são contra esse tipo de prática

JC Online

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Um dos primeiros resultados provenientes do grupo foi observado durante a prisão de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital)
Um dos primeiros resultados provenientes do grupo foi observado durante a prisão de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital)
Foto: Agência Brasil

Com informações do UOL

Um levantamento da Rede Lab-LD, grupo composto por 58 laboratórios de tecnologia conra lavagem de dinheiro, apontou que cerca de R$ 44,43 bilhões foram originados de atividades suspeitas em 11 anos no Brasil. Em um dos dados mais recentes, apenas ao primeiro semestre de 2017, apontou que 77 políticos estavam envolvidos em negociatas, sendo que foram excluídas as iniciativas da Operação Lava Jato em Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, por motivos operacionais. Os nomes deles não foram revelados.

Segundo informações da UOL, os dados mais recentes do levantamento apontam que foram 7.438 casos desde 2009, envolvendo ao menos 6.752 pessoas e 2.676 empresas. Um dos primeiros resultados provenientes do grupo foi observado durante a prisão de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).

"Houve resultados muito positivos no mapeamento do funcionamento das grandes organizações criminosas, na participação das mulheres dos criminosos, movimentação de contas bancárias, visitas a presídios e a relação disso com os locais em que as pessoas moravam", afirma Leonardo Ribeiro, o coordenador da Rede Lab-LD.

No primeiro semestre do ano passado, foram identificados R$ 6,2 bilhões suspeitos de irregularidades, mais que o triplo do montante de 2016 e igual à soma total de 2015.

Outro exemplo de cooperação dos laboratórios de tecnologia foi a denúncia sobre esquemas fraudulentos no SUS do Rio de Janeiro, que somaram R$ 35 milhões em desvios, entre 2005 e 2010. Entre os processados na Justiça em 2016, estavam o ex-presidente da Câmara dos Vereadores, um deputado estadual e um secretário de Saúde. O caso corre na Justiça Federal, ainda sem conclusão.


Grupo

Atualmente, 18 pessoas trabalham no grupo que atua junto ao Ministério da Justiça. Os analistas atuam em áreas como computação, economia, direito e, até mesmo, psicologia. Além disso, trabalham com um equipamento de ponta, com aplicativos, câmeras, filmadoras e impressoras. "Os aplicativos são excelentes, a Nasa utilizada alguns deles, mas nada substitui o ser humano. Não existe um processo 100% automatizado", explica o delegado Robinson Fernandes, coordenador do LAB-LD da Polícia Civil.

Enccla

A Rede Lab-LD foi criada em 2006, por iniciativa de uma meta da Enccla (Estratégia Nacional de Combate à Corrupção à Lavagem de Dinheiro), maior fórum de órgãos públicos e empresas na prevenção e repressão aos crimes de colarinho branco no país. É coordenada, atualmente, pelo Ministério da Justiça.

A Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro foi criada em 2003 para facilitar a articulação e somar esforços de órgãos e instituições públicas e privadas que atuam, direta ou indiretamente, na prevenção e combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

Em anos anteriores, as reuniões da Enccla resultaram em importantes instrumentos e normativos para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, entre eles a lei que define organização criminosa e disciplina a colaboração premiada, propostas de atos normativos, a exemplo das alterações das leis sobre lavagem de dinheiro, e a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas.

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