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Caso Morato expõe mal-estar e até briga de ego na Polícia Científica

Raphael Guerra

Raphael Guerra

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Publicado em 28/06/2016 às 11:40

Associação de Peritos Papiloscopistas denuncia que foi impedida de realizar perícia para não chamar a atenção da imprensa. Foto: JC Imagem
Associação denuncia que peritos foram impedidos de realizar nova perícia em motel para não chamar a atenção da imprensa. Foto: JC Imagem

A morte do empresário Paulo César Morato, dentro de um quarto de motel em Olinda, não expõs apenas uma sequência de erros praticados pelos responsáveis pelas investigações. Aponta ainda uma verdadeira queda de braço entre peritos criminais e papiloscopistas. De acordo com profissionais da área, ouvidos em reserva pelo RondaJC, desde o início de 2015, quando a atual gestão assumiu, há um mal-estar entre os peritos e até briga de ego durante as investigações de casos de repercussão.

A situação é tão complicada que até o Ministério Público de Pernambuco já foi acionado várias vezes para intervir sobre a função de cada tipo de perito (criminal/papiloscopista) nos processos de investigação. Segundo denúncia da Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco, a Polícia Científica não está cumprindo com o que a lei federal determina.

Um dos casos mais recentes, que expõe o mal-estar, foi assassinato do jornalista e colunista social Marcolino Júnior, em Caruaru. A autoria do crime foi descoberta graças às impressões digitais – trabalho realizado por peritos papiloscopistas. De acordo com a associação, estranhamente, as profissionais responsáveis pelo trabalho, que resultou na prisão do suspeito, foram retiradas de suas funções.

No dia seguinte à morte do empresário, peritos foram ao motel realizar perícia mais detalhada no quarto onde o corpo de Morato foi encontrado. No entanto, foram impedidos pela gerência. Entenda o caso.

Em texto enviado ao blog, a Associação dos Peritos Papiloscopistas do Estado faz graves denúncias à atual gestão da Polícia Científica de Pernambuco e admite que, cada vez mais, está difícil manter um trabalho isento nas investigações.

Acompanhe alguns trechos:

As verdadeiras razões que motivaram o polêmico cancelamento da perícia papiloscópica na suíte nº 02 do Hotel TiTiTi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo Cesar de Barros Morato vão muito além de especulações sobre queima de arquivo ou questões mal explicadas e que levantam dúvidas sobre a sua morte. O que ocorreu foi mais uma ingerência por parte da gerente de Polícia Científica, a perita criminal Sandra Santos, dentre muitas outras que já ocorreram, com intuito de criar prejuízos as perícias papiloscópicas.

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Os representantes da associação aguardaram as conclusões dos relatórios dos peritos papiloscopistas plantonistas daquele dia e do dia anterior para poderem se pronunciar sobre a polêmica e as lacunas deixadas sobre esse episódio. Os peritos papiloscopistas seguiram corretamente todos os procedimentos operacionais padrões estabelecidos para se periciar uma cena de crime. O local, por ser interno e possuir grandes áreas e vários objetos em busca de impressões digitais “que estão latentes, ou seja, invisíveis” requer um processamento muito mais minucioso e com uma equipe de peritos maior do que a que se encontrava no primeiro momento.

O local foi isolado pelo perito papiloscopista plantonista na noite da quarta-feira visando à realização da perícia papiloscópica na manhã da quinta-feira, bem como esse isolamento foi sim comunicado à delegada Gleide Ângelo, diferentemente do que foi noticiado na coletiva da SDS. Isso é procedimento padrão estabelecido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A perícia ocorreria naquela manhã da quinta-feira, como todos estavam informados, não só os policiais que estiveram no local, mas também o dono do Hotel, a imprensa e a gestora de Polícia Científica.  Sandra Santos, se valendo do cargo que atualmente ocupa, e por questões meramente corporativistas, entrou em contato com a gerente de Identificação Criminal do IITB, ordenando que a mesma fizesse contato com a equipe de peritos e os convencessem a cancelar a perícia, alegando que o secretário de Defesa Social não queria que se fizesse a perícia para não se dar mais repercussão do caso aos veículos de comunicação.

Ficamos sem entender a pressa em se processar e depois liberar essa cena de crime, quando se sabia da repercussão do caso, que o local era interno e que o perito papiloscopista havia deixado informado que o local permaneceria isolado para a perícia de impressões digitais.

Para a associação, não é nenhuma surpresa a ausência de transparência, atitudes impensadas e autoritárias por parte da gestora. Desde que assumiu a Policia Científica, ela vem agindo de forma antiética, constrangedora e parcial. Usando-se de palavras, atos, documentos e divulgação de inverdades, induzindo ao erro autoridades judiciárias, policiais, membros do Ministério Público, imprensa e a sociedade pernambucana, com o fim de desacreditar os trabalhos pericias de natureza papiloscópica realizados de forma legal, técnica e ética pelos peritos papiloscopistas, abalando o equilíbrio institucional dos órgãos que compõe a Polícia Científica.

Diversos documentos já foram protocolados na SDS, solicitando a resolução dos problemas, entretanto o secretário vem tratando com indiferença. Esse novo fato foi a gota d’ água. Iremos, agora, tomar as medidas jurídicas cabíveis, bem como orientar os peritos papiloscopistas que só aceitem determinações da gerência por escrito e com todas as formalidades. Nada será mais feito de boca ou via telefonema, não nos sujeitaremos mais a esses desmandos que só trazem prejuízos às perícias papiloscópicas e à categoria.



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