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Frente Parlamentar em defesa da Chesf fará ato em Brasília

O socialista Danilo Cabral irá presidir o grupo de trabalho; ministro de Minas e Energia rebate carta de governadores em defesa da companhia

Da Editoria de Política

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Chesf entra em discussão na Câmara Federal
Chesf entra em discussão na Câmara Federal
Foto: Divulgação

Em meio à queda de braço com o governo federal por causa da privatização da Eletrobras, será realizado ato nesta quarta-feira (13), em Brasília, pela Frente Parlamentar em Defesa da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). O deputado socialista Danilo Cabral irá presidir o grupo de trabalho. Havia a expectativa que o governador Paulo Câmara (PSB) participasse do evento, mas o Palácio não confirmou a ida dele a Brasília. Na agenda oficial, estão marcadas duas agendas no Estado. O socialista e os outros oito governadores do Nordeste assinaram uma carta semana passada pontuando o descontentamento com a venda da Chesf.

Segundo o parlamentar, a Frente deve funcionar como um canal de diálogo entre o governo federal, o Congresso Nacional e a
população brasileira. O lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Chesf ocorrerá, a partir das 13h, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, durante a audiência pública para debater as privatizações promovidas pelo governo federal.

“Esperamos que o ministro Fernando Filho (Minas e Energia) tenha a sensibilidade de abrir esse debate com o Congresso, com quem opera o setor energético e sobretudo com a sociedade”, diz Danilo Cabral. Ele destaca que a mobilização popular é capaz de interromper a privatização do setor energético do País.

“Foi isso que fez o ministro recuar da abertura da exploração mineral da Renca, na Amazônia, abrindo um prazo de 120 dias para
que a sociedade participe do debate. Nós queremos que o ministro dê a Pernambuco, aos nordestinos, aos irmãos dele de Petrolina, que devem tanto ao Rio São Francisco, a mesma oportunidade de fazer esse debate de privatização da Eletrobras”, ressalta o deputado.

Segundo Danilo, a venda do sistema terá como consequência aumento de 16% nas contas de energia elétrica.

Danilo Cabral afirma que a Frente já analisa “uma série de fragilidades do ponto de vista judicial” existentes na proposta de
privatização da Eletrobras apresentada pelo Ministério das Minas e Energia.

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MINISTRO

Nessa segunda-feira (11), em visita ao Estaleiro Atlântico Sul, o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho (PSB), pareceu firme ao ser questionamento sobre a privatização da Chesf. 

“Quero que me apontem qual foi o investimento no Rio São Francisco que a Chesf fez ao longo de seus 69 anos de existência”, disse. O ministro negou que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco possa ser retirada do pacote de privatizações, como pede o texto da carta elaborada pelos governadores do Nordeste e entregue ao presidente Michel Temer (PMDB) no último dia 5.

Segundo o ministro, a retirada da Chesf do programa de privatizações criaria um precedente que acarretaria no pedido de outras
regiões para a exclusão de outras estatais. O modelo do processo de privatização, segundo o ministro, será divulgado até o fim
deste mês e incluirá um programa de revitalização.

“E hoje, no momento de grande dificuldade financeira que a Chesf passa, acho que mais difícil ainda será poder cuidar do rio de
agora em diante. O que nós queremos é uma Eletrobras que possa ser eficiente, gerar mais empregos e que possa fazer os seus
investimentos”, reforçou o ministro.


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