LAVA JATO

Defesa de Lula apresentou a Moro recibos de aluguel com datas inexistentes

Recibos foram anexados para comprovar o aluguel do imóvel no nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia

Lucas Moraes
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Lucas Moraes
Publicado em 26/09/2017 às 10:15
Valter Campanato/Agência Brasil
Recibos foram anexados para comprovar o aluguel do imóvel no nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia - FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil
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Dos 26 recibos anexados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa segunda-feira (25), como comprovantes da locação do imóvel em São Bernardo do Campo, São Paulo, pela ex-primeira-dama Marisa Letícia, dois documentos estão com datas inexistentes no calendário. Os recibos foram apresentados ao juiz Sérgio Moro como refutação à hipótese de que o ex-presidente teria recebido o imóvel, além de um terreno na mesma região, como benefícios da Odebrecht após favorecimento em 8 contratos da Petrobras.

Dentre os recibos, nos quais os valores da locação variam de R$ 3.660 mil a R$ 4.300 mil, os referentes aos meses de junho de 2014 e novembro de 2015 estão com datas inexistentes. No de 2014, além de constar a data 31, inexistente naquele mês, há outro recibo que confere um pagamento de R$ 4.300 mil no dia 30 de junho, ou seja, dois pagamentos de alugueis referentes a um único mês.

No caso de novembro de 2015, o pagamento, também de R$ 4.300 mil, está datado no dia 31, data igualmente inexistente no mês. Todos os recibos são assinados por Glaucos da Costa Marques, réu, assim como o ex-presidente Lula, no processo, e têm como locatária a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu este ano.

Em depoimento, Moro já havia cobrado a entrega dos recibos, mas o petista respondeu, à época, não ter certeza sobre os documentos. "Deve ter recibo", disse.

Processo

Ao apresentar os recibos, os advogados de Lula escreveram na petição que "nenhuma prova" foi apresentada comprovando o recebimento por parte de Lula dos "benefícios diretos dos recursos desviados".

Embora já esteja na fase final, o processo que apura o repasse de R$ 13 milhões da Odebrecht a Lula por meio do imóvel e um terreno para a construção do Instituto Lula pode ser suspenso caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) acate o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

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