Eleições na França

Frustrado plano de atentado na França a cinco dias das presidenciais

Suspeitos de preparar ataque na França foram detidos nesta terça. Com eles, a polícia apreendeu explosivos e armas de grosso calibre

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Publicado em 18/04/2017 às 18:50
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Suspeitos de preparar ataque na França foram detidos nesta terça. Com eles, a polícia apreendeu explosivos e armas de grosso calibre - FOTO: Foto: AFP
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Dois homens "radicalizados", suspeitos de preparar um ataque "iminente" na França, foram detidos nesta terça-feira (18) em Marselha (sudeste), a cinco dias do primeiro turno da eleição presidencial.

Os dois suspeitos, de nacionalidade francesa - Clément Baur, de 22 anos, e Mahiedine Merabet, de 29 anos - se preparavam para realizar uma "ação violenta, de maneira iminente em território francês, sem que possamos determinar com precisão o dia e os objetivos", segundo declarou o procurador-geral de Paris, François Molins.

No apartamento onde estavam estabelecidos em Marselha, a polícia apreendeu três quilos de TATP - um explosivo caseiro muito utilizado por extremistas islâmicos -, uma granada artesanal, várias armas de fogo, incluindo uma metralhadora, munição e uma bandeira do grupo Estado Islâmico (EI), segundo a Procuradoria.

Mahiedine Merabet tentava entrar em contato com o EI, principalmente para transmitir um "vídeo jurando lealdade ao grupo ou de reivindicação", revelou o procurador.

Ele afirmou que um "vídeo interceptado em 12 de abril" mostrava "uma mesa sobre a qual havia uma metralhadora do tipo UZI", "a bandeira do Estado Islâmico", "dezenas de munições dispostas de maneira a escrever 'a lei do talião'" e "a primeira página do jornal Le Monde" de 16 de março de 2017 "com o candidato à presidência francesa" François Fillon.

O presidente François Hollande elogiou a atuação das autoridades. "Nossos serviços e nossos policiais trabalharam de maneira notável, o que permitiu prender duas pessoas que serão apresentadas aos juízes e policiais", afirmou.

Os dois homens, vigiados pela Polícia por radicalização, já haviam sido presos por outros delitos sem relação com o terrorismo, de acordo com uma fonte próxima às investigações.

"Tudo está pronto para garantir a segurança do primeiro turno da eleição presidencial", que acontece dia 23 de abril, garantiu o ministro do Interior, Matthias Fekl, ressaltando, contudo, que "o risco terrorista é maior do que nunca".

As equipes do candidato conservador François Fillon, da líder da extrema-direita Marine Le Pen e do centrista Emmanuel Macron foram alertadas na semana passada sobre os dois suspeitos.

"Meu serviço de segurança recebeu as fotos dos suspeitos na quinta", segundo a ultradireitista Marine Le Pen, enquanto um assistente do centrista Emmanuel Macron também confirmou tê-las recebido.

A França foi alvo desde 2015 de uma série de ataques que mataram 238 pessoas. Desde o início de 2016, cerca de vinte tentativas de atentado foram frustradas, segundo o governo.

Mais de 50.000 policiais e gendarmes, apoiados por militares da operação Sentinela, serão mobilizados para garantir a segurança durante a votação de domingo.

Incerteza para o segundo turno

As acusações de empregos fictícios contra François Fillon e Marine Le Pen, a ascensão do jovem "progressista" nem de direita nem de esquerda Emmanuel Macron e o carisma do ícone da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon agitaram a eleição, em que cerca de 30% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar.

A diferença diminuiu nos últimos dias entre os quatro principais candidatos.

"Quatro cabeças para um quebra-cabeça", resumiu nesta terça-feira o jornal Libération, observando a situação "extraordinária e sem precedentes" no país, depois de uma campanha marcada por reviravoltas.

"Durante quase todas as eleições presidenciais, os finalistas para o segundo turno já estavam definidos desde fevereiro/março. Desta vez a incerteza é real", ressalta Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas Ifop.

Neste contexto, os candidatos estão redobrando os esforços para convencer os indecisos e aqueles tentados a não votar.

"O fato importante é o comportamento dos abstencionistas, muito mais numerosos do que em eleições anteriores", observa Frédéric Dabi.

"Foram 20% em 2012, 18% em 2007, e desta vez giram em torno de 30%".

Um dia após uma demonstração de força em Paris, onde reuniu 20.000 partidários, Emmanuel Macron passeou nesta terça-feira pelos corredores do mercado de Rungis, ao sul de Paris.

"Convencido de estar no segundo turno", François Fillon visita nesta terça-feira o norte da França.

Após navegar pela região parisiense na segunda-feira, Jean-Luc Mélenchon deve realizar um comício por meio de holograma em seis cidades.

Marine Le Pen estará na quarta-feira no grande porto mediterrâneo de Marselha, um dos seus redutos, depois de ter defendido na segunda-feira uma "moratória" sobre a "imigração legal".

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