Eterno Trapalhão

Entrevista: Renato Aragão não segura a emoção

Artista fala ao Jornal do Commercio sobre a experiência de levar às telas do cinema o seu filme de número 50

Robson Gomes
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Robson Gomes
Publicado em 18/01/2017 às 5:10
Foto: Páprica Comunicação/Divulgação
Artista fala ao Jornal do Commercio sobre a experiência de levar às telas do cinema o seu filme de número 50 - FOTO: Foto: Páprica Comunicação/Divulgação
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Pela 50ª vez, o humorista Renato Aragão volta às telonas brasileiras, depois de um hiato de nove anos. A partir desta quinta-feira (19), ele é o protagonista de Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood. O personagem que vai interpretar todo mundo conhece de cor: Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo. E esse amor pelo cinema tem como inspiração o grande Oscarito.

“Quando eu era mais jovem, assistia aos filmes do Oscarito umas 15 ou 16 vezes e sonhava muito em fazer igual”, explicou Renato em entrevista por telefone ao JC. Ao menos em número, o humorista de 82 anos já o superou: são 50 filmes contra 47 do humorista espanhol naturalizado brasileiro, falecido aos 64 anos.

A nova versão dos Saltimbancos nasceu quando Renato assistiu, em 2014, ao musical inspirado no filme de 1981, no Rio de Janeiro: “Quando eu assisti à peça, fiquei muito feliz com o trabalho feito por Charles Möeller e Claudio Botelho”, relembrou Renato. “Não tinha certeza se ia dar certo. Mas quando vi o longa pronto, na pré-estreia do filme em São Paulo, a ficha caiu que tem tudo para ser um sucesso”, contou o humorista.

Gravado em dois meses e dividindo espaço com atores da nova geração como Letícia Colin, Emílio Dantas e Rafael Vitti, Renato revelou que, às vezes, ficava encabulado durante as gravações: “Eles não estavam lá para trabalhar, estavam ali para se divertir. Nos intervalos, eles falavam para mim o quanto estavam felizes em trabalhar com alguém que fez parte da infância deles. Eu ficava sem jeito, porque admiro muito o trabalho deles também”, disse o ator.

Questionado se acredita que fez a diferença no cinema brasileiro por toda a sua obra, Renato Aragão foi afirmativo. “Sinto que fiz a minha parte. Afinal, foram 50 filmes e quase 130 milhões de espectadores. Esses números não são para qualquer um”, concluiu.

Numa sequência do novo longa, Didi “ganha um Oscar” pelo conjunto da obra. E perguntamos a Renato se isso deveria acontecer com ele de verdade: “Quem sou eu para merecer isso? Me sinto muito pequeno. (risos) Olha, é um sonho que eu tenho. Enquanto ainda não acontece, eu fiz acontecer no filme”, comentou.

Em outras cenas, é nítida a emoção do comediante, que vai além do Didi que está em foco. Renato comentou o que pensou quando viu sua filha Livian cantando com ele: “Olha, eu chorei no ensaio e me prendi muito para não chorar na hora de gravar. É que me reportei àquela época. Lembrei da Lucinha Lins cantando lindamente e, agora, vejo minha filha ao meu lado. Foi muito especial”, disse.

E o choro ao ser homenageado no fim do filme? “Foi o maior mico da minha vida! No roteiro eu ia só aplaudir o elenco e pronto. Quando me chamaram e fui aplaudido com tanto amor, não resisti. E ainda seguraram a surpresa de incluir a cena no filme pronto, mas fiquei muito feliz com o resultado”, completou Renato.

DEVER CUMPRIDO

O sentimento que o humorista traz para esse filme é de realização: “É a sensação de dever cumprido. Quero muito que o público se divirta e comemore comigo esses 50 filmes”, encerrou o eterno Didi.

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