PATRIMÔNIO

Obras de arte em mãos erradas

Pernambuco tem 61 peças na lista dos bens culturais roubados ou furtados e procurados pelo Iphan

Claudia Parente
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Claudia Parente
Publicado em 13/08/2015 às 7:39
Iphan/Divulgação
Pernambuco tem 61 peças na lista dos bens culturais roubados ou furtados e procurados pelo Iphan - FOTO: Iphan/Divulgação
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Pernambuco tem 61 bens culturais na lista dos procurados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A maioria é peça religiosa, subtraída de igrejas tombadas do Estado. O órgão conta com o apoio da Polícia Federal, Interpol (Polícia Internacional) e Receita Federal para tentar recuperar os objetos e devolvê-los aos proprietários. Ontem, a Arquidiocese de Olinda e Recife anunciou que recebeu de volta um sacrário, roubado da Igreja Madre de Deus, Bairro do Recife, em 1976.

Segundo a Arquidiocese de Olinda e Recife, o sacrário (urna onde se guardam as hóstias consagradas) estava em poder do herdeiro de um colecionador particular, que concordou em devolvê-lo depois de o Iphan ter submetido o objeto a uma vistoria. Desde o dia 13 de agosto de 2014, quando foi recuperado pela Polícia Federal, a relíquia se encontrava sob a tutela do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro.

O sacrário será entregue ao arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, na próxima terça-feira. É uma peça de duas partes, feita de madeira e recoberta com placas decoradas em prata. Mede 69 centímetros de altura por 49 cm de largura. No topo, ostenta a imagem de um cordeiro deitado sobre um livro fechado por sete selos, em referência ao capítulo 5 do livro do Apocalipse de São João. O cordeiro simboliza o Cristo.

“Cada exemplar de arte sacra é também uma testemunha da história. É uma grande vitória poder resgatá-la e devolvê-la para ser apreciada pela população”, declara o superintendente do Iphan em Pernambuco, Frederico Almeida, ressaltando que não é fácil reaver bens tombados que foram furtados ou roubados. “O mais comum é localizar essas peças em catálogos de exposição”, revela.

Foi assim que o instituto conseguiu recuperar a imagem de Nossa Senhora das Mercês, roubada da Igreja de São José de Ribamar, no Centro do Recife, há cerca de cinco anos, e que permanece sob a guarda do Iphan. Também se encontra na sede do órgão a talha dourada que revestia a pilastra do arco cruzeiro (peça que separa a capela da nave) da Capela de São Francisco Xavier, no Engenho Bonito, Nazaré da Mata.

A peça do século 18 é feita de cedro, mede 2,18 metros de altura por 1,8 metro de largura e pesa cerca de 60 quilos. Estava em posse de um colecionador de São Paulo quando foi resgatada em 2004. A identificação também ocorreu graças a um catálogo de exposição. Desde então, permanece aos cuidados do Iphan porque a capela está em reforma. 

Na tentativa de evitar que casos como esses continuem ocorrendo, o Iphan instalou câmeras em igrejas tombadas do Recife e de Olinda. Também está finalizando o Cadastro Nacional de Colecionadores de Obras de Arte. “A intenção é inventariar todas as coleções, que serão monitoradas para que o instituto possa ter controle sobre esse mercado”, explica a arquiteta Márcia Hazin, acrescentando que o sistema online deve começar a funcionar até o início do próximo ano.

Roubar peças sacras é crime que não prescreve. Em qualquer época que forem localizadas, podem ser apreendidas e os responsáveis punidos. Há ampla legislação que trata do tema, a começar pelo Decreto Lei nº 25/1937. Frederico Almeida lembra que outra lei (nº 4.845/1965) proíbe a saída do País de obras de artes e ofícios (ainda que não sejam tombados), produzidos no Brasil até o fim do período monárquico (1889) sem autorização do Iphan.

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